César Garcia, CEO da OneKey Payments, afirma que mudanças vão dificultar a ação de criminosos e facilitar a vida dos usuários, através do Pix por aproximação
As recentes mudanças nas regras de segurança do Pix anunciadas pelo Banco Central prometem trazer mais segurança nas transações e introduzir novos recursos que prometem transformar ainda mais o cenário dos pagamentos digitais no Brasil. Entre as alterações, destacam-se as restrições para transações em dispositivos não cadastrados, a implementação de soluções avançadas de gerenciamento de risco de fraude, e a introdução do Pix por aproximação e do Pix Automático.
Para falar sobre o tema, a Tribuna de Imprensa entrevistou César Garcia, CEO da OneKey Payments, instituição de pagamentos licenciada pelo Banco Central, para explorar como essas medidas podem melhorar a conveniência e eficiência dos pagamentos, além dos efeitos no mercado de apostas esportivas.
O Banco Central anunciou novas regras de segurança para o Pix. Qual é a principal novidade?
Uma das principais mudanças que entrará em vigor a partir de 1° de novembro é a restrição de transações iniciadas por dispositivos não cadastrados. Esses dispositivos poderão realizar pagamentos de até R$200,00, com um limite diário de R$1.000,00. Para valores superiores, será necessário o cadastro prévio do dispositivo. O objetivo dessas mudanças é dificultar fraudes realizadas por meio de dispositivos não autorizados, minimizando a possibilidade de criminosos usarem celulares ou computadores diferentes daqueles registrados pelos clientes para realizar transações no Pix.
O que deve ser alterado em relação às medidas de segurança anunciadas pelo Banco Central?
Agora, as instituições financeiras participantes deverão implementar soluções avançadas de gerenciamento de risco de fraude, capazes de identificar transações atípicas ou incompatíveis com o perfil do cliente. Também deverão disponibilizar avisos sobre cuidados de segurança aos clientes e verificar, pelo menos uma vez a cada seis meses, se seus clientes possuem marcações suspeitas de fraude na base de dados do BC.
E o que essas novidades podem guardar para o futuro do Pix, em termos de conveniência?
A partir de fevereiro do próximo ano, estará disponível o Pix por aproximação, que permitirá pagamentos apenas com a aproximação do celular à máquina de pagamentos, sem necessidade de redirecionamento ou acesso ao aplicativo do banco. Além disso, em junho de 2025, será lançado o Pix Automático, permitindo pagamentos recorrentes, como mensalidades e assinaturas, sem a necessidade de autenticação a cada transação. Este novo recurso promete aumentar a comodidade para os pagadores e a eficiência para os recebedores, reduzindo custos operacionais e inadimplência.
Considerando sua experiência no setor de apostas e em discussões junto ao Banco Central, de qual maneira essas mudanças devem impactar o setor de pagamentos das apostas esportivas?
Considerando uma rápida análise comportamental dos nossos clientes, disputas relacionadas à fraudes por utilização de dispositivos de terceiros não é algo comum. Com efeito, o que temos experimentado é que transações de “cash-in” possuem um ticket médio na faixa de R$ 50,00 e uma operação de “cash-out”, ainda que possuam um ticket mais elevado na faixa de R$300,00, não são suficientes para serem impactadas por essas medidas. Entretanto, o mercado de apostas deverá passar por uma mudança significativa com as novas regulamentações vigentes de prevenção à fraude e lavagem de dinheiro, o que implicará na necessidade de criação de controles adicionais de programas de compliance e monitoramento, aprimorando controles hoje vigentes e dificultando ainda mais a ocorrência de potenciais fraudes.
